Tudo
indicava que era uma noite como qualquer outra. Mas não era. Decidi acreditar
apenas no que eu podia ver e sentir. A lua clareava o meu jardim. O silêncio só
era quebrado com o som do vento fazendo as folhas dançarem. Eu gostava de estar
sendo banhada pela luz do luar, pois isso me fazia imaginar como seria se eu
fosse uma deusa, ou seja lá o que for.
Esta
seria a última noite que seria levada pela imaginação. Isso me fazia criar
expectativas que eu desejava não me firmar. Já tinha perdido todo e qualquer
tipo de esperança de ter certeza que eu teria alguém para amar o resto da minha
existência. Podia até ser incrédula, mas a vida me fez ser assim.
Decidi
deixar minha pequenina lua tomar conta de mim, pelo menos, eu sabia que nela
havia segurança. O vento continuou a tocar-me sem se preocupar com o que
acontecia ao meu redor. Apenas fechei os olhos e sonhei.
Envolta
de pensamentos, suas mãos tamparam meus olhos, que mesmo se estivessem abertos,
não conseguiria ver nada. Com esse toque, senti meu coração pulsar fora do
normal. Algo me disse que eu conhecia esse alguém.
-
Quem é? - minha voz rouca acentuada com um pouco de medo pronunciou. O seu
cheiro adocicado queimava em minha garganta. Seria ele? Não podia ser. A hipótese
de esse alguém ser a pessoa em que meu coração descontrolava e minha mente
repulsava ia tornando-se cada vez mais real.
-
Quem é você? Responda! - ordenei, já um pouco temerosa. Uma parte de mim,
enlouquecida, desejava que fosse ele, mas a outra não. O silêncio ainda
vigorava. Eu permanecia quieta, apenas escutando o meu coração e o dele bater
descoordenadamente.
-
Saudades de mim, anjo? - ah! Aquela voz! Era ele, no fundo, eu sabia. Acho que
iria ter um ataque cardíaco - estava batendo tão descontrolado, que eu não
sabia se eu era capaz de dominá-lo. Ele tirou suas delicadas mãos de meu rosto,
e virei-me para olhá-lo.
Seus
olhos castanhos escuros me fitavam incomumente. O que eu faço?, sussurrei em
minha mente. Ele não me deu muito tempo para eu falar. Sua mão agora acariciava
meu rosto e sua mão em minha cintura - ele já tinha me levantado anteriormente
antes de ouvir sua voz.
-
Minha Julieta! - ainda fitava mergulhando em meu olhar - Não consegui ficar
longe de você, anjo. Me perdoa por ter partido, eu... - minha mente nesse
momento, sentiu repulsar daquele ser. A dor de sua partida havia dominado minha
essência, menos o meu coração. - não consegui. Eu havia deixado meu coração
contigo, anjo...
Minhas
lágrimas fugiram demasiadas de meus olhos, banhando a mão dele. Eu não
conseguia falar nada, por mais que tentasse. A dor latente ainda não queria
deixar o amor emanar de meu peito. Eu estava lutando. Mas quem venceria? Com
seus dedos, colheu minhas lágrimas. Ele nunca fizera isso. Seria ele mesmo?
-
Anjo, eu não queria ter partido. Eu não conseguia respirar, pois ar me faltava
sem você ao meu lado. Eu não mereço, mas te peço perdão. - vi minhas lágrimas
irem para ele. Seus olhos agora eram que transbordavam.
-
Por favor, não chore! - consegui dizer. Foi um impulso incontrolável. Toquei em
seu rosto, não consegui evitar. A dor estava aquietando, porque o meu amor por
ele estava resplandecendo. - Eu te amo!
Seus
olhos olharam pra mim confusos, mas felizes. Sua boa inundou a minha, e senti
"borboletas no estômago". Eu tinha esquecido como era ser beijada por
um anjo. Não que ele tivesse asas, mas ao beijá-lo senti-me como se estivesse
flutuando. Nossas lágrimas cessaram. A minha dor passou. O nosso amor foi a
única coisa que a lua presenciou.
O
calor do seu corpo esquentou meu corpo gelado. Agradeci a lua por ter trazido
ele de volta
.
-
Romeu - falei. Seus olhos fixaram em mim. - Eu também não conseguia viver. Eu tinha
dado o meu coração para sempre. Eu dei-o pra ti. - ele sorriu.
-
Pra sempre - encostou seu rosto ao meu falando.
Não
falei nada. Dessa vez fui eu quem o beijou. Eu tinha-me tornado o anjo que ele
sempre mencionou. Pra sempre, disse a ele em pensamento.
Eu
sabia que a lua tornaria aquilo eterno. E tornou.
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