sábado, 15 de outubro de 2011

Eternamente ao luar


Tudo indicava que era uma noite como qualquer outra. Mas não era. Decidi acreditar apenas no que eu podia ver e sentir. A lua clareava o meu jardim. O silêncio só era quebrado com o som do vento fazendo as folhas dançarem. Eu gostava de estar sendo banhada pela luz do luar, pois isso me fazia imaginar como seria se eu fosse uma deusa, ou seja lá o que for.

Esta seria a última noite que seria levada pela imaginação. Isso me fazia criar expectativas que eu desejava não me firmar. Já tinha perdido todo e qualquer tipo de esperança de ter certeza que eu teria alguém para amar o resto da minha existência. Podia até ser incrédula, mas a vida me fez ser assim.

Decidi deixar minha pequenina lua tomar conta de mim, pelo menos, eu sabia que nela havia segurança. O vento continuou a tocar-me sem se preocupar com o que acontecia ao meu redor. Apenas fechei os olhos e sonhei.

Envolta de pensamentos, suas mãos tamparam meus olhos, que mesmo se estivessem abertos, não conseguiria ver nada. Com esse toque, senti meu coração pulsar fora do normal. Algo me disse que eu conhecia esse alguém.

- Quem é? - minha voz rouca acentuada com um pouco de medo pronunciou. O seu cheiro adocicado queimava em minha garganta. Seria ele? Não podia ser. A hipótese de esse alguém ser a pessoa em que meu coração descontrolava e minha mente repulsava ia tornando-se cada vez mais real.

- Quem é você? Responda! - ordenei, já um pouco temerosa. Uma parte de mim, enlouquecida, desejava que fosse ele, mas a outra não. O silêncio ainda vigorava. Eu permanecia quieta, apenas escutando o meu coração e o dele bater descoordenadamente.

- Saudades de mim, anjo? - ah! Aquela voz! Era ele, no fundo, eu sabia. Acho que iria ter um ataque cardíaco - estava batendo tão descontrolado, que eu não sabia se eu era capaz de dominá-lo. Ele tirou suas delicadas mãos de meu rosto, e virei-me para olhá-lo.

Seus olhos castanhos escuros me fitavam incomumente. O que eu faço?, sussurrei em minha mente. Ele não me deu muito tempo para eu falar. Sua mão agora acariciava meu rosto e sua mão em minha cintura - ele já tinha me levantado anteriormente antes de ouvir sua voz.

- Minha Julieta! - ainda fitava mergulhando em meu olhar - Não consegui ficar longe de você, anjo. Me perdoa por ter partido, eu... - minha mente nesse momento, sentiu repulsar daquele ser. A dor de sua partida havia dominado minha essência, menos o meu coração. - não consegui. Eu havia deixado meu coração contigo, anjo...

Minhas lágrimas fugiram demasiadas de meus olhos, banhando a mão dele. Eu não conseguia falar nada, por mais que tentasse. A dor latente ainda não queria deixar o amor emanar de meu peito. Eu estava lutando. Mas quem venceria? Com seus dedos, colheu minhas lágrimas. Ele nunca fizera isso. Seria ele mesmo?

- Anjo, eu não queria ter partido. Eu não conseguia respirar, pois ar me faltava sem você ao meu lado. Eu não mereço, mas te peço perdão. - vi minhas lágrimas irem para ele. Seus olhos agora eram que transbordavam.

- Por favor, não chore! - consegui dizer. Foi um impulso incontrolável. Toquei em seu rosto, não consegui evitar. A dor estava aquietando, porque o meu amor por ele estava resplandecendo. - Eu te amo!

Seus olhos olharam pra mim confusos, mas felizes. Sua boa inundou a minha, e senti "borboletas no estômago". Eu tinha esquecido como era ser beijada por um anjo. Não que ele tivesse asas, mas ao beijá-lo senti-me como se estivesse flutuando. Nossas lágrimas cessaram. A minha dor passou. O nosso amor foi a única coisa que a lua presenciou.

O calor do seu corpo esquentou meu corpo gelado. Agradeci a lua por ter trazido ele de volta
.
- Romeu - falei. Seus olhos fixaram em mim. - Eu também não conseguia viver. Eu tinha dado o meu coração para sempre. Eu dei-o pra ti. - ele sorriu.

- Pra sempre - encostou seu rosto ao meu falando.

Não falei nada. Dessa vez fui eu quem o beijou. Eu tinha-me tornado o anjo que ele sempre mencionou. Pra sempre, disse a ele em pensamento.

Eu sabia que a lua tornaria aquilo eterno. E tornou.

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