sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Carta: Anjo e flor


Como todas as manhãs, acordei ainda com um pouco de sono, tentando lembrar o que havia acontecido na noite anterior. Brigamos foi? Por um pequeno instante senti toda tristeza da noite anterior. As lágrimas caíram quase de imediato. O sono já se fora e só doara espaço para sentimentos desordeiros.
Fiquei quieta e respirei fundo. Senti a luz do sol me aquecer depois de uma noite tão fria e obscura. Foi quando vi. Na minha janela tinhas flores e uma carta. Peguei a carta. Não tinha nada escrito no envelope só a palavra Anjo eterno. Abri cuidadosamente e comecei a ler.

Mais linda das flores. Bom dia! Talvez você não faça ideia de quem escreve isto para você, mas não se preocupe, você logo saberá. Por favor leia até o final.

Nesse momento, subiu uma raiva, mas a curiosidade falou mais alto.

Descobri nitidamente ontem a noite que a vida é efêmera, porém eterna quando se deseja. Se eu lhe magoei, não vou abrigar-te a me perdoar, mas estou aqui te pedindo que me perdoe, minha flor. Só quero que lembre de tudo o que vivemos. Lembra?

A chuva sempre foi nossa companheira. Eu ainda consigo ver o teu sorriso em minha memória tão vivo... Eu não posso deixar de te amar. Por mais que eu quisesse, mesmo que eu fosse obrigado, a minha vontade não mudaria nada do que sinto. Esse amor é diferente de todos que já vivi – na verdade, não eram amores, e sim paixões súbitas e sem sentido.
Você é apenas a brisa que com sua graciosidade balance as folhas da minha árvore. Com sua “frieza”, acaricia-me de uma forma que não consigo transcrever bem. Por acaso, pode um anjo voar sem asas? Você é quem me dá todo o poder de voar. Sempre me chamaste de anjo, mas sem você eu não consigo voar.

Você lembra dos dias de chuva em que você corria para eu te pegar. Parecia besteira, né? Mas para mim, NÃO ERA. Todas as vezes em que você melou-me de brigadeiro só para me beijar, eu gostava, porque esse teu jeito tão meigo e delicado, me cativou desde a primeira vez que te olhei.

Nesse momento, não consegui reter as lágrimas. Ele podia fazer de tudo, mas não mudaria NUNCA o que sinto. Continuei a ler...

Você sabe a barreira que tenho para escrever carta, mas venci tudo só para te ter de novo comigo. Sinto saudade do teu abraço, e nunca que me acostumarei sem ele. NUNCA. Você entende isso? Eu te peço, por favor, minha Julieta, não me prive de viver. Você sempre soube que a vida tenho apenas ao te olhar e saber que sempre estarás comigo.
Mesmo que você não me queira – nunca lhe acusarei disso –, eu SEMPRE vou estar do teu lado, porque uma flor precisa de cuidados né? E você é – ou pelo menos, foi – a minha flor. Minha Julieta...
Doido para cuidar de você,

Seu Romeu (teu anjo eterno).

Quando terminei de ler, eu já não estava mais controlável. Eu chorei como se estivesse caindo chuva sobre o meu corpo. Eu NUNCA deixei de amá-lo, tudo que ocorrera na noite anterior, ao decorrer da carta, já estava lançando na lixeira NÃO IMPORTA MAIS. Eu olhei para as flores, e senti-me realmente parte delas. Eu deixaria o meu anjo cuidar de mim. Eu não saberia se viveria sem ele. Eu disse para mim mesma, olhando o infinito: Voe para mim, estou esperando os teus cuidados.

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